Crônicas

Egocentrismo

O alarido invade meus ouvidos ofendidos. Quero silêncio. Não tenho.

Ainda é manhã e vespertino. Talvez até anoiteça, madrugue. Não sei.

O barulho continua. Eu continuo. Queria poder parar os dois. Dormir? Acho que não. A vida me chama. Só a queria um pouco mais silenciosa. Estou sensível! A poeira me incomoda o nariz, a claridade, os olhos, o barulho… Maldito!

Quero o silêncio de música escolhida. Quero o silêncio do livro preferido, quero o silêncio de amigos queridos por perto, quero o silêncio de estar em casa, em família. Quero o silêncio da agenda fechada. O silêncio de sonhar de olhos abertos, de escolher o que contemplar. Quero o silêncio do sol de outono sobre a pele…

Quero discrição, segredo, intimidade.

Quero esquecimento.

Quero lembrança.

Quero de novo o mesmo.

Quero! E-go-ís-ti-ca-men-te!

Um outro lugar que não seja aqui.

Valeria Soares da Silva

Valeria Soares da Silva é membro da Academia de Letras do Brasil -  nasceu e vive em Teresópolis- RJ. Formou-se em Letras - Língua Portuguesa e Literatura de Língua Portuguesa pela Universidade Gama Filho. Cursou MBA em gestão educacional e empreendedorismo pela Universidade Federal Fluminense. Professora desde 1986, atuou na rede privada e na rede pública municipal. Atualmente, é Diretora Geral do Colégio Estadual Euclydes da Cunha.

Um comentário

  1. Lindo!
    Compartilho contigo, Valeriay, este desejo pelo silêncio. O que parece impossível alcançar, nestes tempos de tantas discussões, tantas opiniões, muitas vezes opiniões de quem não tem sequer ideia sobre o que estão opinando.
    Seu texto me remeteu à um verso do saudoso Zé Rodrix, que dizia: “Eu quero o silêncio das línguas cansadas”.

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